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Ser professor!

Ser professor em pleno século XXI é, indiscutivelmente, um grande desafio! Não falo isso àqueles profissionais da educação que não acreditam na força das mudanças impostas pela globalização – esses continuam a dar aulas, estáticos como se o mundo e seus componentes também o fossem. Falo àqueles que acreditam em uma escola viva, cujos atores não só acompanham as mudanças, mas também avançam em sintonia com as transformações inevitaveis impostas pela modernidade.

“As reformas atuais confrontam os professores com dois desafios de envergadura: reiventar sua escola enquanto local de trabalho e reinventar a si próprios enquanto pessoas e membros de uma profissão. A maioria deles será obrigada a viver agora em condições de trabalho e em contextos profissionais totalmente novos, bem como a assumir desafios intelectuais e emocionais muito diversos daqueles que caracterizavam o contexto escolar no qual aprenderam seu ofício”. (THURLER, Monica Gather, in: PERRENOUD, Philippe. As competências para ensinar no século XXI. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002 – p.89)

Ser professor é ser o maestro que conduz todo o processo nos bastidores até a apresentação do grande concerto, mas são os músicos da orquestra que fazem o espetáculo acontecer; é por meio do harmonioso som produzido pelos instrumentos que o público vibra, chora, enfim, emociona-se. Ao final, todos, maestro e músicos recebem os merecidos aplausos. Diferente daquela figura isolada e carrancuda de anos anteriores, deve o professor de hoje ser o grande maestro que conduz seus alunos à transformação de suas próprias vidas, a serem agentes construtores do conhecimento.

“Num contexto de mundo inacabado e em constante mudança, nós não temos nunhuma aula a ‘dar’, mas a construir, junto com o aluno. O aluno precisa ser o personagem principal dessa novela chamada aprendizagem. Já não há mais sentido continuarmos a escrever, dirigir e atuar unilateralmente, em que o personagem principal fica sentado no sofá, estático, passivo, assistindo, na maioria das vezes, a cenas que ele não entende.” (SANTOS, Júlio César Furtado dos. Aprendizagem signifiativa: modalidades de aprendizagem e o papel do professor. Porto Alegre: Mediação, 2008 – p.64)

Muito mais do que estar em sala de aula após um exaustivo período de estudos para a aquisição do diploma, ou após anos de experiência docente, deve o professor reinventar-se, transforma-se ou, em sentido mais profundo, reformar-se! Esse é mesmo um grande desafio!

“O professor tem de ser capaz de reaprender permanentemente, não apenas as técnicas de programação visual e de informática, mas também o conteúdo de suas matérias. Porque o pensamento evolui muito rapidamente e se espalha mais rapidamente ainda… Se demorar a aprender, seus alunos aprenderão antes dele, seja pela televisão ou pela nevegação da internet.” (BUARQUE, Cristovam, in: Reescrevendo a educação. Org.Emerson Santos. São Paulo: Ática/Scipione, 2006 – p.45)

Ser professor é mesmo desafiador, mas não é uma missão impossível. Só é mesmo impossível para quem não acredita que a educação é capaz de transformar vidas.

Eduardo Freires, 01 de agosto de 2010.

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